A Terra ficou pior

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Eram pouco mais de 19:30 de ontem, 25 de junho, quando Zé Marcelo entra na sala de aula, me chama e diz de longe: “Michael Jackson morreu!”
- não entendi..
- Michael Jackson morreu, repetiu ele.

Depois de comunicar a todos, tive uma rápida ausência daquela aula de Marketing de Varejo e assisti instantaneamente um filminho que começou em agosto de 1977, passou por dezembro de 1980, correu pela Praça da Paz Celestial, pela África de Mandela, pelas ruas de Theerã e voltou a Los Angeles.

O repicar de cenas entrecortadas não considerou que Michael Jackson vendeu 750 milhões de discos, que Thriller foi o álbum que mais vendeu no mundo, que não faz muito tempo que o mundo esteve dividido entre os que o defendiam e os que o acusavam.

Nada disso passou na minha cabeça.

As cenas traziam Elvis Presley, o eterno rei do rock, com um fim tão parecido; John Lennon, que cantou a paz; aquele chinesinho que parou uma fileira de tanques e a certeza de que o mundo dos bons acaba primeiro. Não se sabe por que.

Não me preocupam as esquisitices de Michael Jackson, alguém já disse que de perto todos somos meio doidinhos mesmo, mas a ausência de um dos mais completos e geniais artistas contemporâneos sem que ele tivesse tido tempo de dar a tão esperada volta por cima.

Acredito, sim, que a excursão que ele começaria agora em julho o faria ressurgir como ele sempre foi: técnico, inovador, emocionante.

Certamente que aqueles que o destruíam há tão pouco tempo hoje estão chorando de saudade e reverenciando hipocritamente o homem que desde ontem, com sua morte, virou mito.

É assim mesmo, o mundo é mau.
Mas certamente o céu vai ficar melhor.

Jener Tinôco

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